Caminhoneiros anunciam greve nacional para 4 de dezembro
adesão, porém, é dividida
Foto ilustrativa
Na terça-feira (2), Francisco Dalmora Burgardt — mais conhecido como Chicão Caminhoneiro —, representante da União Brasileira dos Caminhoneiros (UBC), protocolou um documento na sede da Presidência da República requisitando a formalização de uma paralisação nacional do setor, com início previsto para quinta-feira (4). ( Plox )
A mobilização conta com o apoio jurídico de Sebastião Coelho, desembargador aposentado que acompanha o movimento desde o protocolo. “Estaremos protocolando o movimento para trazermos a legalidade jurídica dessa ação que vamos iniciar a partir do dia 4 de dezembro [...] dentro da legalidade que a lei estabelece”, afirmou Chicão em vídeo divulgado nas redes sociais. ( Poder360 )
📋Principais reivindicações
Entre os pedidos apresentados pelos organizadores da greve estão: ( Gazeta do Povo )
-
Atualização do piso mínimo do frete, especialmente para caminhões de grande porte; ( Gazeta do Povo )
-
Estabilidade contratual, com regras claras para liberdade ou recusa de fretes; ( Gazeta do Povo )
-
Reestruturação do marco regulatório do transporte rodoviário de cargas; ( Diamante Online )
-
Renegociação ou “congelamento” de dívidas da categoria e possibilidade de refinanciamento em prazos dilatados; ( Revistas Especiais Digitais )
-
Condições de trabalho mais dignas, com melhores infraestruturas nas estradas; ( Portal de Camaquã )
-
Aposentadoria especial para caminhoneiros com pelo menos 25 anos de atividade comprovada. ( Poder360 )
Segundo os organizadores, a paralisação teria caráter “estritamente trabalhista e regulatório”, sem relação direta a disputas partidárias ou causas políticas. ( Mega Cidade )
Empresa nacional com reflexos limitados: categoria não está unificada
Apesar do anúncio e do protocolo formal, a paralisação da proposta de resistência enfrentou dentro da própria categoria. A Confederação Nacional dos Transportes Autônomos (CNTA), que representa uma parcela expressiva de sindicatos e caminhoneiros, declarou não ter sido consultada oficialmente sobre o movimento, e que “não tem conhecimento” de uma greve marcada. ( Transporte Moderno )
Fontes ligadas ao setor afirmam que não há consenso entre lideranças tradicionais e independentes independentes, especialmente diante da participação de figuras políticas e da inclusão de pautas controversas, o que gera desconfiança sobre uma real adesão à mobilização. ( JC )
Em muitos trechos do país, caminhoneiros gravaram vídeos afirmando que não regularam quem se apresenta como “representante da categoria” e que não pretendem parar. ( Transporte Moderno )
Possíveis impactos — e por que a mobilização gera apreensão
Se uma greve atingir adesões relevantes, há o risco de impactos logísticos e econômicos em várias cadeias: abastecimento de combustíveis, distribuição de alimentos e insumos, transporte de cargas essenciais, entre outros. Os antecedentes de greves anteriores — com desabastecimento em postos e falta de produtos — trazem à tona esse temor. ( CompreRura )
Entretanto, o cenário de indefinição sobre adesão e representatividade fragiliza a projeção de que a paralisação será nacional e dinâmica. A mobilização pode reduzir agrupamentos pontuais, com menor impacto do que o esperado. ( Revistas Especiais Digitais )
O que observar nos próximos dias
-
Se outras entidades representativas formalizarem apoio à greve ou manutenção da distância.
-
A adesão real dos caminhoneiros em rodovias e centros urbanos — se a paralisação for majoritariamente de autônomos, pode perder força.
-
A ocorrência do governo federal e das autoridades do setor de transporte: surgimento de diálogos, negociações ou respostas oficiais às reivindicações.
-
Eventuais sinais de falta de abastecimento em combustíveis, alimentos e insumos básicos — especialmente se a greve crescer no número de adesões.
Conclusão — A convocação para uma greve nacional de caminhoneiros a partir de 4 de dezembro reflete a insatisfação persistente da categoria frente às condições de trabalho, aos custos operacionais e à sensação de desvalorização. No entanto — com liderança fragmentada, ausência de consenso entre entidades históricas e dúvidas sobre apoio real nas estradas — a mobilização atual enfrenta um desafio central: transformar indignação e reclamações em ação concreta e eficaz. O resultado pode definir se estamos diante de um movimento decisivo ou de mais uma tentativa de dispersão de protesto.








