Cidade FM - Pandemia da Covid-19 e os desafios da educação

A pandemia da Covid-19 impôs desafios inéditos para os profissionais da Educação



A pandemia da Covid-19 impôs desafios inesperados para os profissionais da Educação do País quando impediu a ida dos alunos às salas de aula, transformando o ambiente comum de aprendizagem das escolas em encontros virtuais, por meio da internet, nos computadores, tablets e celulares dos estudantes. 

As dinâmicas de preparação das aulas, de exposição do conhecimento, participação e integração, tiveram de ser revistas e aprimoradas com o objetivo de manter a qualidade satisfatória do ensino sem prejuízos de aprendizagem às crianças e jovens dos ensinos infantil, fundamental e médio, das escolas públicas e particulares, nos estados. 

No início do isolamento era preciso disponibilizar os conteúdos diariamente de forma rápida e, principalmente, que pudesse chegar aos alunos, no entanto, isso não ocorreu de imediato e o professor teve de ser criativo e demonstrar comprometimento para conseguir ensinar, mesmo distante da turma. 

"Os meninos não tinham acesso a qualquer tipo de aparelho de conexão. Para tentar amenizar essa situação, nós conversamos por meio de textos. A meu ver, lembrei a época da comunicação por meio da escrita de cartas", contou Rodrigo Xavier, professor de Artes Educação, da rede pública de ensino do Distrito Federal. 

No Distrito Federal , por exemplo, cerca de 450 mil alunos foram matriculados na rede pública, de acordo com o governo local, em 2020. Em março daquele ano, todos tiveram de entrar em isolamento devido ao coronavírus. As aulas online aconteceram um mês depois e foram assim até o início do segundo semestre de 2021, quando os encontros presenciais e híbridos retornaram nas unidades de ensino – em dias alternados entre escola e aulas online. Durante o período de pouco mais de um ano, nem todos os matriculados na rede pública da Capital tiveram acesso rápido às tecnologias, como os estudantes dos projetos Socioeducativos.

"Nós recebemos treinamento, utilizamos essas plataformas, postamos as atividades previstas para que o aluno pudesse ter acesso a um computador para ter uma aula online, mas, isso não aconteceu. Apenas no início deste ano, eles conseguiram ter acesso a essa plataforma", relata o professor Xavier. 

Professores da rede de ensino particular também estão passando por dificuldades - mesmo com acesso à tecnologia. A professora de Línguas Estrangeiras, Nathalia Damacena, relata que a adaptação das aulas presenciais para o sistema online foi menos traumática, em comparação com os colegas da rede pública, porque os alunos já estavam habituados com a forma de aprendizagem online e, a escola conseguiu dar suporte aos profissionais rapidamente. Porém, acredita que parte da turma teve dificuldades para assimilar o conhecimento durante o período mais crítico da pandemia da Covid-19. 

"A escola deu muito apoio na questão de material, computador. Mas, nem sempre todos os alunos conseguem acompanhar ou entender. Alguns alunos, eu posso dizer, não tiveram aproveitamento de 100%", disse a professora. 

Novo Ensino teológico

A mudança das aulas presenciais para encontros virtuais foi tarefa desafiadora para os professores, durante a pandemia da Covid-19, e o futuro reserva mais uma grande reviravolta no dia a dia dos profissionais de Educação. É que, a partir de 2022, o País terá a missão de consolidar o Novo Ensino Médio . Uma nova metodologia foi aprovada em 2017 e prevê a implementação da primeira etapa já a partir de janeiro. 

A carga horária de estudos vai aumentar para os alunos e professores, passando de quatro para cinco horas diárias, no mínimo. Os conteúdos serão agrupados por áreas de conhecimento, e não mais por disciplinas, e as escolas terão de oferecer atividades extras – Itinerários Formativos – de formação técnica e profissional. 

A ideia é capacitar o estudante do Ensino Médio para as carreiras acadêmicas nas universidades e faculdades por áreas de profundidade de cada um e, também, prepará-lo para o mercado de trabalho. 

Para o especialista em Psicologia Educacional, Afonso Galvão, a efetivação do Novo Ensino Médio vai exigir dos professores mais capacitação e, sendo assim, impor aos gestores públicos a obrigação de investir com segurança na infraestrutura das escolas, nas tecnologias, na metodologia nass, nos exercícios e na preparação do profissional de Educação. Na visão dele, sem a dedicação que a Educação das cidades precisa, o Novo Ensino Médio pode levar muito tempo para ser implementado com vigor nos estados e a principal prejudicada será a própria Nação.

“Em condições adequadas é possível que se faça uma transição para esse novo modelo em quatro ou cinco anos. Mas, considerando o desafio histórico pela Educação, é muito difícil que o Novo Ensino Médio vingue. É necessário que haja, além desse projeto, a responsabilidade dos gestores públicos”, explicou o especialista. 

 



Fonte: Brasil 61

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